segunda-feira, 11 de abril de 2016

Ópio


Ópio 
Por Marina Rodrigues e Raissa Tozzi


Mais um trago 
Outro gole
Voltou a escrever
O papel meio mole 
A vista meio turva
Tentava descrever
O poder daquela palavra 
Que fazia se fazia crua
Refletida na matéria prima bruta
Do ópio da alma


Vago nesta vaga solidão
Carregando fardos e ódio no coração
Inconsciente dos fatos
Dos fardos
Dos atos, tatos, olfatos, sensações


Doses cavalares de loucura
e homéricas de razão
Fundem-se nessa imensa escuridão
E vazio
Que carrego aqui comigo
No abismo
Da imensidão da alma


Frustrado e fodido
Com a esperança arrancada
Vago nu pelas ruas do acaso
As pálpebras queimadas pelo vento gélido
Bebericando em goles lentos
Saboreando
Entorpecendo
O temor que me desperta as palavras
Preciso domesticar meu demônio interior
Escrever me basta

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