quarta-feira, 13 de abril de 2016

Enclausurada



Enclausurada 
Por Marina Rodrigues

Ar logo falta em meus pulmões. As paredes parecem diminuir a cada passo descompassado que dou em direção à porta. Enclausurada. Engasgada. Enlatada como uma fileira de sardinhas, dessas que compramos em supermercados.         
Com um medo excessivo, irracional — que aumenta à medida que o tempo escorre por entre os finos nós de meus dedos trêmulos — caminho em direção à saída. É inevitável: devo desmaiar adiante.          
Pânico. Ansiedade. Taquicardia. Suor. Terror. Tremor — Claustrofobia.          
Começo a ver imagens dobradas e penso se não são os barbitúricos engolidos desesperados, no intuito de acalmar o fantasma da fobia que paira sobre mim.            

Morte, enfim. 

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